quarta-feira, 28 de abril de 2010

O livreiro (Daisy Justus)

poucas disciplinas são mais
interessantes que a etimologia

em Paris um livreiro austríaco
abriu um sebo na Place des Vosges

no saguão do museu o poeta
recitou a breve composição

James Joyce escreveu Finnegans Wake
Dom Casmurro é quase um livro didático

quem é o dono do estilo:
o autor ou o personagem?

in "Sala de Ensaio", Ibis Libris, 2010

Livraria Prefácio
Foto: Paulo Batelli



sexta-feira, 9 de abril de 2010

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Os livros (Pedro Lago)

Página.

Pequeno mundo de letras
aprisionadas que formam
mapas.

Grifos de gritos lidos
com ditos essenciais
(pelo menos pra quem os faz),
pois querem ser como os essenciais.
Mitos vivos não mitificados,
ao lado de outros de letra igual,
na estante, do chão ao teto,
distintos em sua autonomia,
fechados num aglomerado
de pequenos mundos,
enumerados ou não.

in Corpo aberto, Ibis Libris, 2010

Livraria da Travessa
Foto: Paulo Batelli

Assim como as pessoas, os livros nascem

"Assim como as pessoas, os livros nascem.
Assim como as pessoas, eles são descobertos.
E tantas vezes enquanto houver pessoas procurando descobri-los.
Os livros, como as pessoas, envelhecem.
Têm manchas de idade, dobras, marcas de expressão.
Assim como as pessoas, os livros são abandonados.
E, também, quando reencontrados, são capazes de serem amados novamente.
Os livros, como as pessoas, podem até ser interpretados de maneiras diferentes, mesmo contando exatamente a mesma coisa.
Talvez seja por isso que os livros se ocupem sempre em contar histórias da vida das pessoas.
Por serem tão parecidas com as deles.
Na verdade, os livros e as pessoas diferem apenas em um ponto: o final.
Porque, ao contrário das pessoas, um livro nunca morre."

(adaptado do texto do marcador do sebo Livros, livros e livros, recém-reinaugurado na Av. Rainha Elizabeth, 122, loja E, Copacabana, Posto 6)

Rio de Janeiro, 1o. de abril de 2010 - 21h50

Livraria Prefácio
Foto: Paulo Batelli